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Clepsydra
| AUTHOR | Pessanha, Camilo; Girao, Marcos |
| PUBLISHER | Independently Published (08/23/2019) |
| PRODUCT TYPE | Paperback (Paperback) |
Description
Fernando Pessoa Carta a Camilo Pessanha - 1915?]Ex.mo Senhor Dr. Camilo Pessanha, MacauH anos que os poemas de V. Exa. s o muito conhecidos, e invariavelmente admirados, por toda Lisboa. para lamentar - e todos lamentam - que eles n o estejam, pelo menos em parte, publicados. Se estivessem inteiramente escondidos da publicidade, nas laudas ocultas dos seus cadernos, esta abstin ncia da publicidade seria, da parte de V. Exa., lament vel mas explic vel. O que se d , por m, n o se explica; visto que, sendo de todos mais ou menos conhecidos esses poemas, eles n o se encontram acess veis a um p blico maior e mais permanente na forma normal da letra redonda. sobre este assunto que assumo a liberdade de escrever a V. Exa. Decerto que V. Exa. de mim n o se recorda. Duas vezes apenas fal mos, no "Su o", e fui apresentado a V. Exa. pelo general Henrique Rosa. Logo da primeira vez que nos vimos, fez-me V. Exa. a honra, e deu-me o prazer, de me recitar alguns poemas seus. Guardo dessa hora espiritualizada uma religiosa recorda o. Obtive, depois, pelo Carlos Amaro, c pias de alguns desses poemas. Hoje, sei-os de cor, aqueles cujas c pias tenho, e eles s o para mim fonte continua de exalta o est tica.N o escrevo estas coisas a V. Exa. para seu mero agrado, adulando. Elas s o a express o sincera do modo como sinto as composi es a que me reporto. Nem sequer cito este prazer, que os seus poemas me deram, com o restrito fim de apoiar em frases que possivelmente sensibilizem o pedido que venho fazer. A ordem dos factos outra: porque muito admiro esses poemas, e porque muito lamento o seu actual car cter de in ditos (quando, ali s, correm, estropiados, de boca em boca nos caf s) a que ouso endere ar a V. Exa. esta carta, com o pedido que cont m.Sou um dos directores da revista trimestral de literatura "Orpheu". N o sei se V. Exa. a conhece; prov vel que a n o conhe a. Ter talvez lido, casualmente, alguma das refer ncias desagrad veis que a imprensa portuguesa nos tem feito. Se assim , poss vel que essa not cia o tenha impressionado mal a nosso respeito, se bem que eu fa a a V. Exa. a justi a de acreditar que pouco deve orientar-se, salvo em sentido contr rio, pela opini o dos meros jornalistas. Resta explicar o que "Orpheu". uma revista, da qual sa ram j dois n meros; a nica revista liter ria a valer que tem aparecido em Portugal, desde a "Revista de Portugal", que foi dirigida por E a de Queir s. A nossa revista acolhe tudo quanto representa a arte avan ada; assim que temos publicado poemas e prosas que v o do ultra-simbolismo at ao futurismo. Falar do n vel que ela tem mantido ser talvez in bil, e possivelmente desgracioso. Mas o facto que ela tem sabido irritar e enfurecer, o que, como V. Exa. muito bem sabe, a mera banalidade nunca consegue que aconte a. Os dois n meros n o s se t m vendido, como se esgotaram, o primeiro deles no espa o inacredit vel de tr s semanas. Isto alguma coisa prova - atentas as condi es artisticamente negativas do nosso meio - a favor do interesse que conseguimos despertar. E serve ao mesmo tempo de explica o para o facto de n o remeter a V. Exa. os dois n meros dessa revista. Caso seja poss vel arranj -los, envi -los-emos sem demora.O meu pedido - tenho, reparo agora, tardado a chegar a ele - que V. Exa. permitisse a inser o, em lugar de honra do terceiro n mero, de alguns dos seus admir veis poemas. Em geral publicamos em cada n mero bastante colabora o de cada autor, de modo que, apesar de a revista ter 80 p ginas, os colaboradores de cada n mero n o t m passado de 7 (8). Isto para indicar que sobremaneira estimar amos que nos concedesse a honra de publicar umas dez a vinte p ginas de sua colabora o. Entre os poemas que era empenho nosso inserir contam-se os seguintes: "Violoncelos", "Tatuagens", "O Estilita" (s conhe o, deste, o segundo soneto), "Castelo de bido
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Product Format
Product Details
ISBN-13:
9781687058713
ISBN-10:
1687058717
Binding:
Paperback or Softback (Trade Paperback (Us))
Content Language:
Portuguese
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Page Count:
72
Carton Quantity:
98
Product Dimensions:
6.00 x 0.17 x 9.00 inches
Weight:
0.26 pound(s)
Country of Origin:
US
Subject Information
BISAC Categories
Non-Classifiable | Non-Classifiable
Descriptions, Reviews, Etc.
publisher marketing
Fernando Pessoa Carta a Camilo Pessanha - 1915?]Ex.mo Senhor Dr. Camilo Pessanha, MacauH anos que os poemas de V. Exa. s o muito conhecidos, e invariavelmente admirados, por toda Lisboa. para lamentar - e todos lamentam - que eles n o estejam, pelo menos em parte, publicados. Se estivessem inteiramente escondidos da publicidade, nas laudas ocultas dos seus cadernos, esta abstin ncia da publicidade seria, da parte de V. Exa., lament vel mas explic vel. O que se d , por m, n o se explica; visto que, sendo de todos mais ou menos conhecidos esses poemas, eles n o se encontram acess veis a um p blico maior e mais permanente na forma normal da letra redonda. sobre este assunto que assumo a liberdade de escrever a V. Exa. Decerto que V. Exa. de mim n o se recorda. Duas vezes apenas fal mos, no "Su o", e fui apresentado a V. Exa. pelo general Henrique Rosa. Logo da primeira vez que nos vimos, fez-me V. Exa. a honra, e deu-me o prazer, de me recitar alguns poemas seus. Guardo dessa hora espiritualizada uma religiosa recorda o. Obtive, depois, pelo Carlos Amaro, c pias de alguns desses poemas. Hoje, sei-os de cor, aqueles cujas c pias tenho, e eles s o para mim fonte continua de exalta o est tica.N o escrevo estas coisas a V. Exa. para seu mero agrado, adulando. Elas s o a express o sincera do modo como sinto as composi es a que me reporto. Nem sequer cito este prazer, que os seus poemas me deram, com o restrito fim de apoiar em frases que possivelmente sensibilizem o pedido que venho fazer. A ordem dos factos outra: porque muito admiro esses poemas, e porque muito lamento o seu actual car cter de in ditos (quando, ali s, correm, estropiados, de boca em boca nos caf s) a que ouso endere ar a V. Exa. esta carta, com o pedido que cont m.Sou um dos directores da revista trimestral de literatura "Orpheu". N o sei se V. Exa. a conhece; prov vel que a n o conhe a. Ter talvez lido, casualmente, alguma das refer ncias desagrad veis que a imprensa portuguesa nos tem feito. Se assim , poss vel que essa not cia o tenha impressionado mal a nosso respeito, se bem que eu fa a a V. Exa. a justi a de acreditar que pouco deve orientar-se, salvo em sentido contr rio, pela opini o dos meros jornalistas. Resta explicar o que "Orpheu". uma revista, da qual sa ram j dois n meros; a nica revista liter ria a valer que tem aparecido em Portugal, desde a "Revista de Portugal", que foi dirigida por E a de Queir s. A nossa revista acolhe tudo quanto representa a arte avan ada; assim que temos publicado poemas e prosas que v o do ultra-simbolismo at ao futurismo. Falar do n vel que ela tem mantido ser talvez in bil, e possivelmente desgracioso. Mas o facto que ela tem sabido irritar e enfurecer, o que, como V. Exa. muito bem sabe, a mera banalidade nunca consegue que aconte a. Os dois n meros n o s se t m vendido, como se esgotaram, o primeiro deles no espa o inacredit vel de tr s semanas. Isto alguma coisa prova - atentas as condi es artisticamente negativas do nosso meio - a favor do interesse que conseguimos despertar. E serve ao mesmo tempo de explica o para o facto de n o remeter a V. Exa. os dois n meros dessa revista. Caso seja poss vel arranj -los, envi -los-emos sem demora.O meu pedido - tenho, reparo agora, tardado a chegar a ele - que V. Exa. permitisse a inser o, em lugar de honra do terceiro n mero, de alguns dos seus admir veis poemas. Em geral publicamos em cada n mero bastante colabora o de cada autor, de modo que, apesar de a revista ter 80 p ginas, os colaboradores de cada n mero n o t m passado de 7 (8). Isto para indicar que sobremaneira estimar amos que nos concedesse a honra de publicar umas dez a vinte p ginas de sua colabora o. Entre os poemas que era empenho nosso inserir contam-se os seguintes: "Violoncelos", "Tatuagens", "O Estilita" (s conhe o, deste, o segundo soneto), "Castelo de bido
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